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A importância da atividade lúdica

É de importância indiscutível a relação plena que os seres humanos possam ter com o mundo que o cerca. Ser humano é conseguir compreender os objetos que permeiam a sua viagem pela vida e conseguir relacionar-se com eles. Objetos aqui tem sentido amplo e deve ser compreendido como seres animados, portanto vivos e inanimados que são as coisas que como ferramentas nos possibilitam acesso a ele.

O bebê nasce e tem um longo percurso a fazer, ele primeiro é um ser frágil e totalmente dependente, sua relação é com a mãe, única e único objeto reconhecido por ele. 

A mãe não poderá estar, no entanto, em contato permanente com ele, é preciso então permitir que a criança perceba a separação e a faça, não de forma traumática ou rude mas através de um processo de transição.

Mais tarde, quando ela percebe que seu bebê já pode ser desiludido em sua onipotência, ela vai retirando dos cuidados quase que perfeitos, gradativamente e de acordo com sua sensibilidade: daí a denominação mãe suficientemente boa, caso ela prossiga e mantenha a ilusão de onipotência , não permitirá que seu bebê descubra os cuidados ambientais e o mundo exterior. 

            É então aberto o caminho para que o contato com o mundo exterior se estabeleça, o pequeno deverá agora encontrar no meio aquilo que preencha o vazio da ausência da mãe, àquela que lhe propicia o prazer e a satisfação. Naturalmente antes de se lançar ao exterior o bebê deverá ter desenvolvido a sua subjetividade, esta é que lhe permitirá desenvolver estruturas que possibilitem suportar as frustrações que a vida lhe trará. A sua primeira grande frustração está na ausência da mãe. A compensação estará no objeto chamado por Winnicott de objeto relacional ou o objeto de transição.

Donald W. Winnicott foi pediatra e psicanalista Inglês, que observou mais de 60000 crianças em seu consultório e desenvolveu a idéia do objeto realcional e a transicionalidade

Os dados acima foram extraídos da revista: Viver Mente&Cérebro. Ed numero 5 (especial Winnicott)- SP 200

Winnicott (pg 24, 2005) lembra que “objetividade é um termo relativo, porque aquilo que é objetivamente percebido é subjetivamente concebido”.

            Com estes pensamentos é que se deve avaliar as especificidades do brincar para a criança e o adulto. Brincando, a criança não está preenchendo graciosamente seu tempo e dando paz aos pais e professores (cuidadores) mas está em busca de desenvolver seu EU (SELF), amadurecer o ego e poder manter-se firme no contanto com o mundo. O brincar é o meio pelo qual a criança se comunica. Através de folguedos ela consegue exprimir seussentimentos, suas emoções, vivenciar experiências de ganho e perda. Aprender a competir e compartilhar. É por meio do brincar que a criança entra em contato com os objetos que permeiam sua cultura. A criança utiliza os recursos disponíveis para conhecer o seu meio.

            Todo profissional e em especial aquele que se propõem a criar objetos, formas, áreas onde a criança irá brincar, deve estar preocupado com as questões de ordem psicológica, estes espaços não podem ser  frustradores e nem tampouco absolutamente facilitadores. O local onde vamos deixar nossas bebês brincando devem proporcionar momentos em que ele encontre pequenos obstáculos que o façam perceber os entraves da vida. Quando e, se a criança não busca vencer estas pequenas barreiras ela poderá estar nos informando que há um comprometimento qualquer em sua formação, melhor ainda uma deformação.

            Portanto,  os espaços e os objetos lúdicos tem que ser muito pensados, ao tratarmos desta questão no espaço público por exemplo, nas escolas ou em casa se faz necessário primeiro conhecer a cultura daquela população para ai  entender suas necessidades e iniciar um projeto que tenha o compromisso de facilitar o seu acesso, que traga estética, que permita o desenvolvimento ético. Cores, formas, movimentos são indispensáveis para que o sujeito possa colocar em ação todos os seus sentidos.

            Todo indivíduo que é criado apenas com base na satisfação imediata do não saberá o que fazer com as resistências e adaptações que a vida lhe propõem, fazendo-o um individuo patológico.  A educação escolar é um exemplo bastante interessante neste contexto. O estudante é submetido a certas dificuldades, próprias da aprendizagem e é orientado a ultrapassar estes obstáculos, isto vai sendo introjetado pela criança. Cada dificuldade ultrapassada, representará uma conquista moldando sua personalidade. A escola de modo geral está preparada para atuar nestes cenários. É preciso então que os pais participem ativamente. Os pais representam a segurança, os desafios devem representar o lúdico o brincar. Brincar com os pais é prazeroso e assim a criança vai se desenvolvendo. Quando os pais se ausentam nestes momentos ou fazem do estudar um complicado e desagradável momento, a criança cria repulsa no aprender e não se desenvolve a contento.  

            Assim, o brincar não é uma ação descoordenada e aleatória ela é momento existencial e se os pais, professores e demais cuidadores compreenderem que a criança pode e deve utilizar o lúdico para seu desenvolvimento, certamente pais, professores e alunos serão mais confiantes, aprenderão com mais facilidade e serão mais felizes. 

Prof.Dr. Ademir dos Santos     Psicólogo

OFESSOR UNIVERSITÁRIO

 



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